O Lobisomem da Vovó.
Passava pouco das 10 da noite e por aqui já estavam todos recolhidos segundo o costume do interior, amanhã é dia de trabalho na roça de mandioca para colheita e fabricação de farinha.
Noite clara com o luar muito lindo, e se ouviu um barulho estranho vindo dos fundos da casa, como de alguém mastigando com violência, a mãe se recorda que no finalzinho da tarde havia limpado muitos peixes naquela direção, e pelo adiantado da hora não havia enterrado os restos dos peixes... Neste momento houve um entre olhar silencioso por todas as 6 filhas, até porque a mais velha destas estava na casa da mãe prestes a parir. O silêncio ficou mortal e o vovô tomou a mão sua garrucha de dois tiros e foi até a pequena janela dos fundos dando um tiro para assustar a provável criatura dos infernos. Desagradável surpresa foi que o tiro instigou o monstro que passou a arranhar as portas e paredes da casa. Choros e desespero tomaram a casa naquele momento, pois é de conhecimento que o lobisomem ataca mulheres grávidas rasgando a barriga para comer o feto! O faro da mulher grávida deixava a criatura cada vez mais raivosa e sua fúria fazia-se sentir pelos solavancos nas portas e janelas.
Não tão longe dali os três filhos homens do casal estavam cavalgando em seus burros em direção a casa sem ter noção do perigo que seus pais e irmãs estavam passando, o mais velho portava uma espingarda de socar atrelada a sela de sua montaria, mas os três levavam sempre consigo seus facões embainhados, ao aproximar-se da casa, pela clareza proporcionada pelo luar avistaram aquilo que não era um cão ou porco, pois parecia ficar de pé a saltar por sobre as portas e janelas, e Juquinha, o mais velho não pestanejou, usando o dedo indicador por sobre os lábios sinalizou silencio aos irmãos Centin e Amaro. Tomou a espingarda, carregou e meteu um tiro nem tão certeiro no bicho, pois acertara próximo ao rabo quando mirou a cabeça. O monstro disparou uivando e chingando pelo mato adentro e a notícia que se teve no outro dia foi que o pescador Calôzinho, após ouvir o barulho do tiro, viu uma coisa estranha correndo em disparada pela margem do rio em que estava a pescar com sua canoa.
A dona Ziza (Vovó) sempre que contava esta estória, era tomada de medo e se podia perceber o terror daquela noite!
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Causos
O Lobisomem da Vovó.
Passava pouco das 10 da noite e por aqui já estavam todos recolhidos segundo o costume do interior, amanhã é dia de trabalho na roça de mandioca para colheita e fabricação de farinha.
Noite clara com o luar muito lindo, e se ouviu um barulho estranho vindo dos fundos da casa, como de alguém mastigando com violência, a mãe se recorda que no finalzinho da tarde havia limpado muitos peixes naquela direção, e pelo adiantado da hora não havia enterrado os restos dos peixes... Neste momento houve um entre olhar silencioso por todas as 6 filhas, até porque a mais velha destas estava na casa da mãe prestes a parir. O silêncio ficou mortal e o vovô tomou a mão sua garrucha de dois tiros e foi até a pequena janela dos fundos dando um tiro para assustar a provável criatura dos infernos. Desagradável surpresa foi que o tiro instigou o monstro que passou a arranhar as portas e paredes da casa. Choros e desespero tomaram a casa naquele momento, pois é de conhecimento que o lobisomem ataca mulheres grávidas rasgando a barriga para comer o feto! O faro da mulher grávida deixava a criatura cada vez mais raivosa e sua fúria fazia-se sentir pelos solavancos nas portas e janelas.
Não tão longe dali os três filhos homens do casal estavam cavalgando em seus burros em direção a casa sem ter noção do perigo que seus pais e irmãs estavam passando, o mais velho portava uma espingarda de socar atrelada a sela de sua montaria, mas os três levavam sempre consigo seus facões embainhados, ao aproximar-se da casa, pela clareza proporcionada pelo luar avistaram aquilo que não era um cão ou porco, pois parecia ficar de pé a saltar por sobre as portas e janelas, e Juquinha, o mais velho não pestanejou, usando o dedo indicador por sobre os lábios sinalizou silencio aos irmãos Centin e Amaro. Tomou a espingarda, carregou e meteu um tiro nem tão certeiro no bicho, pois acertara próximo ao rabo quando mirou a cabeça. O monstro disparou uivando e chingando pelo mato adentro e a notícia que se teve no outro dia foi que o pescador Calôzinho, após ouvir o barulho do tiro, viu uma coisa estranha correndo em disparada pela margem do rio em que estava a pescar com sua canoa.
A dona Ziza (Vovó) sempre que contava esta estória, era tomada de medo e se podia perceber o terror daquela noite!
domingo, 18 de janeiro de 2009
Assombração!
E o vovô contava que lá por volta de mil novecentos e borrachinha (anos trinta talvez), lá pros lados do viega (ih! Eu fico aqui no verão), ninguém andava pela noite. Um caboclo de pele escura terno de casimira branco assombrava a todos os passantes... E eu, neto mais velho perguntava: Mas vovô e ninguém conhece esse homem? Santa inocência, e vovô dizia: ‘Minino é uma assombração Deus mi live’, e continuava a palestra: Se você for andando em noite de lua clara pelo ‘combo’ do mar vai ver sempre um ‘homi’ de branco te seguindo, ele é alto, usa terno de casimira branca e chapéu de lebre branca, dá medo, pois o sujeito fica a uma distância que nunca muda! Se der uma carreira ele tá atrás, se parar, ele para, e vem te seguindo até a barra ‘véia’(Lagamar)! Mas vovô, ninguém sabe quem é esse homem? Meu ‘fio’ dizem que é um caboclo que foi ‘matado’ em uma tocaia quando ‘vortava’ de um baile na casa de Chico Carão lá na vila rica, é vovô então ninguém vai à noite para essas bandas? Só se for para parir muié ou e for enfermidade muito grave!
Viva o vovô – Faleceu em 1986.
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